PL 01-01130/2025: o que muda com a revisão da PGV?

A revisão da Planta Genérica de Valores (PGV) proposta pelo Projeto de Lei 01-01130/2025 marca um dos movimentos mais relevantes do mercado imobiliário paulistano nos últimos anos.

Embora o debate público esteja concentrado no impacto direto sobre o IPTU, os efeitos do projeto vão muito além da carga tributária: eles alcançam o valuation de ativos, a gestão patrimonial, o planejamento financeiro e a tomada de decisão de investidores, síndicos e gestores imobiliários.

O que é o PL 01-01130/2025

O projeto propõe a atualização da PGV, base utilizada pelo município para definir o valor venal dos imóveis. Na prática, isso significa uma tentativa de aproximar o valor tributário da realidade urbana atual, corrigindo distorções acumuladas ao longo dos anos em diferentes regiões da cidade.

Essa atualização impacta diretamente:

  • o valor do IPTU

  • a atratividade econômica de determinados imóveis

  • a forma como ativos são analisados em processos de compra, venda e locação

O que é PGV?

A PGV é um instrumento fiscal técnico, de atualização anual, que define o valor do metro quadrado de terrenos, servindo como base para o cálculo de impostos como o IPTU e o ITBI.

  • estado de conservação

  • vida útil dos sistemas construtivos

  • patologias ocultas

  • riscos estruturais ou funcionais

É aqui que o debate deixa de ser apenas tributário e passa a ser estratégico.

Como usar a Engenharia Diagnóstica para analisar a PGV?

Com a revisão da PGV, cresce a necessidade de critérios técnicos independentes para:

  • embasar decisões de investimento

  • apoiar renegociações e revisões contratuais

  • identificar passivos ocultos que não aparecem no valor venal

  • sustentar contestações e planejamentos patrimoniais

A engenharia diagnóstica atua exatamente nesse ponto: interpretar o imóvel como ativo físico, não apenas como número fiscal.

A contribuição técnica da FMR no debate

Acompanhei de forma direta e técnica o debate do Projeto de Lei 01-01130/2025, que trata da revisão da Planta Genérica de Valores (PGV) do município de São Paulo.

Fui convidada pela Prefeitura de São Paulo a integrar o comitê técnico responsável por deliberar sobre o tema, contribuindo com análises baseadas na engenharia diagnóstica, na leitura do ciclo de vida das edificações e nos riscos técnicos associados ao patrimônio construído da cidade.

Essa participação reforça uma convicção que carrego há anos: decisões urbanas, fiscais e patrimoniais precisam considerar a condição técnica real dos edifícios, e não apenas indicadores numéricos ou parâmetros genéricos.

Essa participação reforça:

  • o compromisso da FMR com decisões baseadas em critério técnico

  • a proximidade com debates estruturantes do mercado imobiliário

  • a visão de engenharia como instrumento de política urbana, gestão de risco e proteção patrimonial

O que investidores, síndicos e gestores devem fazer agora?

Diante da revisão da PGV, entendo que o movimento mais estratégico não é apenas recalcular o impacto tributário, mas reavaliar os ativos sob uma ótica técnica criteriosa.

Na prática, isso significa:

  • compreender se o valor venal atribuído reflete a condição real do imóvel

  • identificar riscos técnicos que não aparecem na PGV

  • antecipar custos futuros de manutenção, correções ou intervenções estruturais

  • usar a engenharia diagnóstica como apoio à tomada de decisão

A Planta Genérica de Valores cumpre um papel importante, mas não substitui a análise técnica do edifício enquanto ativo físico, com vida útil, patologias, riscos e responsabilidades associadas.

Nesse contexto, a engenharia diagnóstica deixa de ser um apoio e passa a ocupar um papel central na proteção patrimonial, na gestão de risco e na inteligência imobiliária.

Rejane Berezovsky

Ex diretora Administrativa do IBAPE-SP, vice coordenadora da Inspeção Predial e co-autora das normas do setor.
Há 40 anos atuando na área tem vasta expertise em engenharia diagnóstica , avaliações e perícias técnicas.

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